Algumas ideias começam de um jeito bastante simples. No caso de Antes que a Praça Desapareça, começou com uma pergunta: o que faz uma praça ser uma praça?

Ao observar a Praça do Bom Pastor, em Juiz de Fora, em plena atividade em um sábado ensolarado, essa pergunta foi ganhando outras dimensões. Feira, crianças brincando, pessoas conversando, famílias reunidas, gente praticando atividade física, cachorro passeando, produtores e artesãos trabalhando, alguém sentado em um banco, outra pessoa simplesmente passando. A praça estava acontecendo.

E foi justamente observando essa praça acontecendo que começamos a pensar naquelas em que parte desses elementos foi desaparecendo. Praças que, ao longo de reformas apresentadas como modernização, perderam árvores, bancos, áreas de sombra e espaços destinados à permanência e à convivência. Em muitos casos, o espaço continua ali, com uma nova aparência, novos usos e uma nova organização. Mas alguma coisa parece ter ficado para trás.

A questão que nos interessa é justamente essa transformação. O que acontece com uma praça quando ela deixa de oferecer as condições para que as pessoas parem, sentem, conversem, brinquem ou simplesmente permaneçam? Quando a vegetação dá lugar ao concreto, a sombra diminui, os bancos desaparecem e o espaço passa a ser pensado cada vez mais para circulação, eventos ou outras funções?

Não se trata de dizer que uma praça não possa mudar. As cidades mudam, e seus espaços também. Mas algumas mudanças alteram profundamente aquilo que era possível fazer nesses lugares. E talvez seja preciso olhar para essas transformações não apenas pela aparência renovada, mas também pelas possibilidades que foram criadas — e pelas que deixaram de existir.

É a partir desse olhar que o filme vem sendo construído. Em São João Nepomuceno, outras imagens estão sendo produzidas, observando justamente esse contraste entre praças que ainda preservam uma dimensão cotidiana de convivência e espaços que, depois de transformações, perderam parte dessa essência.

O filme nasce, portanto, menos de uma resposta e mais da necessidade de observar. De olhar para as praças, para as pessoas que as ocupam e para aquilo que o desenho desses espaços permite ou impede que aconteça.

Antes que a Praça Desapareça é também o nosso primeiro trabalho realizado de forma independente, 100% autofinanciado, sem edital, patrocínio ou recurso externo. A produção está sendo feita aos poucos, com os equipamentos e as possibilidades que temos, enquanto o próprio filme vai encontrando sua forma.

Na realização, Matheus de Castro Rodrigues Menezes assume a Pesquisa e Roteiro, Direção Geral e Filmagens. Pedro Henrique Ferreira Alves de Almeida está à frente da Concepção Artística, Direção de Arte, Produção, Edição e Colorização. E Daniel de Lima Ferreira é o responsável pela Narração, Captação de Voz, Tratamento de Áudio e Sonoplastia.

Mais do que uma participação pontual neste filme, a chegada do Daniel também representa sua entrada no corpo da Cultura Territorial Filmes, somando ao coletivo sua experiência e seu olhar para o trabalho com o som.

Ainda estamos produzindo imagens, observando lugares e entendendo como tudo isso vai se transformar na montagem. O filme ainda está em processo.

Mas a pergunta que deu origem a ele continua sendo a mesma:

O que faz uma praça ser uma praça?

É a partir dela que seguimos, antes que a praça desapareça.

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