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Bem-vindos ao território

É daqui que começamos.

A Cultura Territorial Filmes nasce em São João Nepomuceno, Minas Gerais, a partir do desejo de olhar com mais atenção para os lugares onde vivemos e para as histórias que acontecem neles.

Criamos este espaço para compartilhar um pouco desse percurso: os filmes que produzimos, as fotografias que registramos, as pesquisas que desenvolvemos e os projetos culturais que nos levam a conhecer pessoas, lugares, memórias e paisagens.

Mais do que registrar um território, queremos investigá-lo e contá-lo. Entender como as pessoas se relacionam com os lugares, como as memórias permanecem nas paisagens e como cultura e cotidiano se encontram nas coisas que muitas vezes passam despercebidas.

Este blog será também um diário público desse processo. Por aqui, vamos apresentar projetos, compartilhar descobertas, publicar registros e contar um pouco dos caminhos que percorremos para transformar pesquisa e experiência em narrativa.

Quem somos

A Cultura Territorial Filmes é construída por Matheus de Castro Rodrigues Menezes e Pedro Henrique Ferreira Alves de Almeida, que reúnem experiências complementares nas áreas de pesquisa territorial, audiovisual, fotografia, design e cultura.

Matheus de Castro Rodrigues Menezes é geógrafo, licenciado pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), com pós-graduação em Fertilidade, Manejo dos Solos e Nutrição de Plantas. Atua desde 2019 na educação básica e possui trajetória ligada à pesquisa territorial, cartografia, patrimônio, turismo cultural e memória regional. Entre 2018 e 2019, por meio da parceria entre FUNARBE/UFV e Circuito Turístico Caminhos Verdes de Minas, participou da pesquisa e desenvolvimento do projeto “Descaminhos do Ouro: os Caminhos Proibidos da Zona da Mata”, onde atuou como pesquisador, cartógrafo e projetista. A iniciativa resultou no mapeamento e projeto da ciclorrota turística regional “Descaminhos do Ouro”, com mais de 406 km, conectando 15 municípios, além da produção de mapas, levantamentos históricos e cartográficos e ações de valorização do patrimônio regional. Sua trajetória também inclui a presidência da Associação de Vigilantes do Meio Ambiente (AVIMAM/Coletivo Cultivar), no mandato de 2022–2027, e a participação em projetos culturais e ambientais, pesquisas e iniciativas voltadas à compreensão e valorização dos territórios e das histórias locais, além da atuação docente. Na Cultura Territorial Filmes, atua na pesquisa e investigação territorial, cartografia, curadoria, construção narrativa e desenvolvimento conceitual dos projetos, além de exercer funções de fotografia, direção e roteiro.

Pedro Henrique Ferreira Alves de Almeida atua nas áreas de produção audiovisual, design gráfico e comunicação visual, reunindo experiência técnica e criativa desenvolvida ao longo dos últimos anos. É fundador do estúdio criativo independente PH Design Lab, onde atua desde 2021 no desenvolvimento de identidades visuais, direção de arte, fotografia, animação, edição e produção de conteúdos audiovisuais para diferentes marcas e iniciativas da região. Sua formação técnica em Mecânica e sua experiência profissional em tecnologia também contribuem para uma atuação multidisciplinar, unindo domínio de ferramentas digitais, organização técnica e processos de criação visual. Ao longo de sua trajetória, desenvolveu trabalhos para iniciativas ligadas ao entretenimento, gastronomia, turismo, comunicação e cultura local, incluindo projetos de identidade visual, produção fotográfica, vídeos, motion graphics e comunicação digital. Na Cultura Territorial Filmes, atua na criação visual e produção audiovisual dos projetos, contribuindo com direção de arte, fotografia, captação, edição, pós-produção, identidade visual e comunicação.

É a partir desse encontro entre pesquisa territorial e produção visual que construímos nosso olhar sobre os lugares.

Um coletivo em construção…

Matheus e Pedro formam o núcleo fundador da Cultura Territorial Filmes, a partir do qual o coletivo começa a desenvolver sua identidade, seus projetos e sua forma de trabalhar. Mas a ideia de coletivo não termina nos dois: queremos construir, ao longo do tempo, uma rede cada vez maior de pessoas interessadas em audiovisual, fotografia, pesquisa, cultura e território, abrindo espaço para novos integrantes e diferentes formas de colaboração.

Ao mesmo tempo, cada projeto pode reunir profissionais, artistas, pesquisadores e colaboradores convidados que não fazem parte do núcleo permanente da Cultura Territorial Filmes. São pessoas que chegam para somar conhecimentos, experiências e linguagens específicas a cada trabalho.

É essa combinação entre um núcleo que dá identidade e continuidade ao coletivo e diferentes profissionais que se juntam a cada projeto que queremos construir como nossa forma de trabalhar.

Dois projetos, um começo

Esse caminho já começou a ganhar forma através de dois projetos culturais que estão atualmente em execução.

Águas da Garbosa: entre rios invisíveis e histórias reveladas

O primeiro projeto em execução é Águas da Garbosa: entre rios invisíveis e histórias reveladas, um documentário de média-metragem que investiga São João Nepomuceno a partir de seus cursos d’água, percorrendo as relações entre território, memória, história e paisagem.

A pergunta que orienta o projeto é simples: o que aconteceu com as águas que atravessam a cidade — e o que elas ainda podem nos contar?

Rios e córregos ajudaram a estruturar a ocupação e o crescimento de São João Nepomuceno, mas muitos deles foram progressivamente escondidos, transformados ou esquecidos pelo processo de urbanização. O filme parte justamente dessa paisagem nem sempre visível para investigar como as águas participaram da formação da cidade e como a população se relacionou — e ainda se relaciona — com elas.

Um dos principais fios da narrativa é a grande enchente da década de 1960, acontecimento que permanece na memória de moradores mais antigos. Por meio de entrevistas, pesquisa histórica, registros de paisagem e trabalho de campo, buscamos reunir essas lembranças antes que histórias importantes sobre a cidade desapareçam com o tempo.

O documentário também aborda questões relacionadas ao uso da água, à ocupação urbana e às transformações ambientais dos cursos d’água, aproximando essas questões da experiência concreta de quem vive no município. A paisagem, nesse sentido, não aparece apenas como cenário: ela é parte da própria narrativa.

Com duração estimada de aproximadamente 45 minutos, o filme está sendo construído a partir de pesquisa historiográfica e territorial, entrevistas, registros audiovisuais em diferentes pontos do município, imagens aéreas, captação de som e uma narrativa que combina investigação documental e memória oral.

Embora tenha como núcleo de realização a Cultura Territorial Filmes, Águas da Garbosa também reúne profissionais convidados que ampliam as possibilidades do projeto. Kaique Abreu Filgueiras atua na direção de fotografia, captação de imagens e registros aéreos; Everson de Souza Rezende contribui com a narração; e Jonathan Lage é responsável pela captação, edição e tratamento de áudio. Pedro atua na produção executiva, edição e montagem, enquanto Matheus conduz a direção geral, pesquisa, roteiro e apresentação.

O projeto prevê exibição pública gratuita com cine-debate no Museu Municipal de São João Nepomuceno e sessões em escola pública, além da disponibilização gratuita do documentário nos canais digitais da Cultura Territorial Filmes, por meio do nosso canal no YouTube e deste blog. A proposta é que o filme não seja apenas assistido, mas também possa provocar conversas sobre a história da cidade, seus rios e a maneira como nos relacionamos com o território.

Águas da Garbosa é, portanto, uma tentativa de olhar novamente para aquilo que sempre esteve aqui. Seguir o caminho das águas para descobrir histórias que permanecem, mesmo quando os rios deixam de ser vistos. Dar visibilidade ao invisível e, acima de tudo, convidar à reconexão da sociedade com seus rios.

Árvore da Minha Rua: a floresta urbana da Garbosa

O segundo projeto em execução é Árvore da Minha Rua: a floresta urbana da Garbosa, uma exposição fotográfica e documental que parte de uma presença tão comum na cidade que muitas vezes deixamos de percebê-la: as árvores que fazem parte das nossas ruas, praças, quintais, jardins e espaços de convivência.

A proposta é olhar para essas árvores não apenas como elementos da natureza inseridos no espaço urbano, mas como parte da paisagem cultural de São João Nepomuceno. Árvores acompanham trajetos, marcam lugares, oferecem sombra, flores e frutos, aparecem nas lembranças de infância, nos encontros entre vizinhos e nas atividades que acontecem diariamente pela cidade. Algumas se tornam referências para localizar uma casa, uma esquina ou um bairro; outras fazem parte da história de uma família ou simplesmente estão ali há tanto tempo que parecem ter pertencido àquele lugar desde sempre.

Mas o que acontece quando começamos a olhar para essas árvores como parte da história da cidade?

É a partir dessa pergunta que o projeto se desenvolve. A equipe realiza uma pesquisa territorial pela área urbana de São João Nepomuceno, percorrendo diferentes bairros e espaços da cidade para encontrar, fotografar e documentar árvores que apresentem diferentes formas de presença na paisagem e na vida cotidiana.

A pesquisa não pretende produzir um inventário botânico da arborização municipal. O interesse está justamente nas relações entre árvore, lugar e pessoas. Por isso, além das fotografias, o projeto reúne informações territoriais, identificação e contextualização das espécies, pequenos mapas e, quando pertinente, relatos de moradores sobre suas experiências, lembranças e relações com determinadas árvores.

A partir desse trabalho, será construída uma exposição com no mínimo 40 fotografias de árvores e 10 fotografias ampliadas de espaços urbanos arborizados, apresentando tanto exemplares individuais quanto a presença mais ampla da arborização na paisagem da cidade. As imagens serão acompanhadas por fichas documentais e outros recursos que ajudam a relacionar cada árvore ao território onde está inserida.

Um dos aspectos que mais nos interessa é perceber como uma árvore pode ser, ao mesmo tempo, elemento da paisagem, referência espacial, testemunha do cotidiano e suporte de memória. Uma mangueira pode estar ligada ao trabalho de alguém; uma árvore pode servir de sombra para uma atividade; outra pode ser lembrada por suas flores ou frutos; uma árvore antiga pode permanecer como uma das poucas marcas de uma paisagem que se transformou ao seu redor.

Nesse sentido, a fotografia funciona como uma forma de registro, mas também como uma maneira de reaprender a olhar para a cidade. Ao retirar essas árvores do campo do “comum” e colocá-las no espaço do museu, o projeto propõe uma mudança de perspectiva: aquilo que normalmente encontramos no caminho passa a ser observado, reconhecido e compartilhado como parte da cultura e da identidade do lugar.

A exposição será realizada gratuitamente no Museu Municipal de São João Nepomuceno, aproximando o espaço institucional da cultura de elementos encontrados nos diferentes cantos da cidade. A abertura contará com uma apresentação audiovisual sobre o processo de pesquisa e produção, com transmissão pelos canais digitais da Cultura Territorial Filmes. O projeto também prevê a divulgação e disponibilização de conteúdos selecionados por meio dos nossos canais digitais e deste blog.

Árvore da Minha Rua é, acima de tudo, um convite para olhar de novo para aquilo que está perto. Para perceber que a cidade também pode ser contada pelas suas árvores — pelas sombras que produzem, pelos lugares que marcam, pelas histórias que carregam e pelas relações que ajudam a construir. Uma floresta urbana fragmentada pelas ruas, mas ainda presente no cotidiano da Garbosa.

Começar olhando ao redor

Os dois projetos partem de assuntos diferentes — a água e as árvores —, mas compartilham uma mesma vontade: olhar para o território e perceber o que ele tem a dizer.

É nesse encontro entre pesquisa e imagem, sociedade e natureza, memória e cotidiano que queremos construir a Cultura Territorial Filmes.

Este blog é mais um passo nesse caminho.

Sejam bem-vindos.

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